HomeUma Horta por Dia (Não Sabe O Bem Que Lhe Fazia): Saúde Mental na Horta
Uma Horta por Dia:
Saúde Mental na Horta.
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1. Uma Horta por Dia (Não Sabe O Bem Que Lhe Fazia)
2. Contexto
3. Objetivos
3.1. Promoção da saúde mental e do bem-estar individual e coletivo, através da ligação e interação com a natureza e a terra, e através da socialização comunitária
3.2. Reforço da implementação do conceito de prescrição social/ “green social prescribing”
3.3. Criação de uma rede de serviços de bem-estar e saúde mental
4. Programa
4.1. Manifesto
4.2. Horta e Natureza
4.3. Expressão Artística
4.4. Refeições Coletivas
4.5. Grupos Terapêuticos
4.6. Evento Aberto
5. Agenda
6. Impacto do Programa/ Resultados
7. Apoios e Parceiros
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1. “Uma Horta por Dia (Não Sabe O Bem Que Lhe Fazia)”
Uma Horta Por Dia (Não Sabe o Bem Que Lhe Fazia), pretende criar uma rede comunitária de apoio na Horta Alto da Eira. O projeto conecta cuidados de saúde e práticas terapêuticas a atividades coletivas ligadas à natureza, à comunidade e à arte, promovendo o bem-estar, a saúde mental e a integração social das pessoas em Lisboa. Pretende-se demonstrar o impacto real que as atividades comunitárias ao ar livre, em contacto direto com a natureza, têm na saúde mental e no bem-estar.
2. Contexto
A prevalência de problemas de saúde mental tem vindo a aumentar significativamente. Em Portugal, segundo o Relatório Nacional da Saúde Mental (DGS, 2022), 1 em cada 5 portugueses apresenta um problema de saúde mental, sendo a ansiedade e a depressão mais comuns. Estes números refletem-se no território, marcado pela fragilidade das redes de apoio, envelhecimento populacional, vulnerabilidade e isolamento social, ansiedade, depressão, perturbações várias, dependência de substâncias, autismo nível 1, e nas crianças: baixa autoestima, dependência de tecnologias, perturbações do comportamento e aprendizagem, tristeza e depressão. Os serviços de saúde primários enfrentam dificuldades em responder às dimensões emocionais e sociais do bem-estar, sendo urgente integrar abordagens complementares. A prescrição social – validada no Reino Unido (NHS, 2020) – demonstra eficácia na melhoria do bem-estar, redução do isolamento e diminuição da procura por serviços clínicos (Polley et al., 2017). E o contacto regular com a natureza tem efeitos terapêuticos comprovados: reduz o stress, melhora o humor e a cognição (Bratman et al., 2019). A falta de espaços públicos produtivos e comunitários limita esse acesso, sobretudo em contextos urbanos. A Horta Alto da Eira surge como oportunidade única de criar um ecossistema de saúde mental comunitária, integrando natureza, cultura, ambiente, educação e solidariedade.
3. Objetivos
Propomos a criação de uma rede comunitária de apoio inovadora, na Horta Alto da Eira promovendo o uso do espaço publico e a ligação à natureza como pilares para a integração social, saúde mental e bem-estar das pessoas em Lisboa conectando e destigmatizando os cuidados de saúde ao criar acesso a estes. As iniciativas, pensadas para responder às necessidades, incluem atividades de ligação à terra e à natureza, expressão artística, confecção de refeições coletivas, e grupos terapêuticos, acompanhadas por uma medição de impacto que pretende documentar, estudar e divulgar, as mais valias desta abordagem. Foram definidas parcerias estratégicas formais com o Manicómio e a Prescrição Social de Lisboa, e outras essenciais com Viver Melhor no Beato, Ares do Pinhal, APSA, projeto Desenhar Contigo no Pavilhão, Reshape, Crescer, AMBH e o Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves (agrupamento escolar do território envolvente da Horta) que asseguram a possibilidade de trabalho com os mais diversos grupos permitindo-lhes o acesso a este programa. Foi ainda estabelecida uma parceria com o jornal digital Lisboa para Pessoas, para a comunicação do projeto e do seu impacto. O ponto de partida e encontro é uma “Horta” com trabalho feito na integração social e envolvimento/encontro de diferentes públicos, na educação para a sustentabilidade e solidariedade, com recursos vários e aberta a toda uma cidade — destacando-se pelo forte impacto positivo, já identificado, no bem-estar coletivo. Este projeto representa uma evolução desse trabalho, agora ampliado num projeto piloto com novas parcerias e funções, ao serviço de uma comunidade diversa. Pretende oferecer a todos, num espaço verde público, comunitário e produtivo, um ecossistema para a saúde mental e bem-estar, materializando a criação de um centro aberto com esse propósito, em plena cidade de Lisboa.
3.1. Promoção da saúde mental e do bem-estar individual e coletivo, através da ligação e interação com a natureza e a terra, e através da socialização comunitária que estimula o sentimento de pertença e de propósito, numa horta comunitária com reconhecida vocação para o envolvimento da comunidade.
O contacto regular com a terra e o envolvimento em atividades agrícolas têm revelado impactos positivos no bem-estar, reduzindo o stress, melhorando o humor e a própria cognição. A exposição à natureza e ao solo estimula a produção de serotonina e dopamina – neurotransmissores essenciais na regulação do humor e prevenção da depressão (Lowry et al., 2007). E a interação com microrganismos da terra, como a Mycobacterium vaccae, tem sido associada a efeitos antidepressivos naturais, reforçando o impacto positivo do contacto com a natureza. O trabalho na horta também fortalece o senso de propósito e pertença, em contexto de hortas comunitárias, onde o convívio social e o trabalho em equipa estimulam o apoio mútuo e reduzem o isolamento social (Soga et al., 2017). A prática regular de atividades hortícolas melhora a autoestima, desenvolve habilidades de resiliência e regulação emocional, promovendo a autonomia, essencial para lidar com desafios da vida quotidiana. Ao valorizar o contacto com a natureza e o trabalho colaborativo, criamos um ecossistema de cuidado onde a saúde mental é abordada de forma integrada, num ambiente inclusivo, acessível e enraizado na comunidade local.
3.2. Reforço da implementação do conceito de prescrição social/ “green social prescribing”, ligando-o a um projeto comunitário com diversos recursos, no centro da cidade, conectando utentes dos cuidados de saúde a atividades não clínicas e com francos benefícios terapêuticos.
Propomos uma abordagem complementar aos cuidados de saúde convencionais, oferecendo alternativas não farmacológicas, que contribuem para um aumento de ofertas mais adequadas às dimensões emocionais e sociais do bem-estar. Esta abordagem reconhece o valor das atividades comunitárias e do contacto com a natureza como parte integrante dos cuidados de saúde mental, e tem demonstrado reconhecida eficácia na melhoria do bem-estar, redução do isolamento, diminuição da procura por serviços clínicos e redução de investimento nos cuidados clínicos de saúde. No Reino Unido, segundo o relatório da National Academy for Social Prescribing (2022), 59% dos utilizadores relataram melhorias significativas no bem-estar mental após participarem em atividades prescritas socialmente, tendo reduzido em até 28% as visitas aos médicos de família e em 24% as idas às urgências (University of Westminster, 2017). Esta estratégia reconhece que determinantes sociais – como isolamento, desemprego ou falta de contacto com a natureza – têm impacto direto na saúde mental, e que abordagens comunitárias podem reduzir significativamente a carga sobre os serviços de saúde convencionais, reduzindo também a duração de baixas médicas.
3.3. Criação de uma rede de serviços de bem-estar e saúde mental.
Criação de uma rede de serviços de bem-estar e saúde menta, diretos e indiretos, que permitem às comunidades o acesso a cuidados de saúde comunitários, informação sobre saúde mental e bem-estar, e atividades que promovem a remoção do estigma na saúde e doença mental e bem-estar. A partilha de um espaço coletivo e aberto, de tempo, recursos e conhecimento, com o apoio de profissionais e experiências de grupo, permite uma total integração comunitária, criando espaço para o crescimento individual e coletivo, integrando, desenvolvendo competências, autonomia e sentido de pertença. O espaço da Horta funciona como um ponto de encontro seguro e acessível, onde se cultivam relações, se partilham vivências e se promove o cuidado mútuo. A experiência dos parceiros mostra que a utilização de espaços comunitários focados em temas não centrados diretamente na “cura/doença mental” ajuda a remover medos e estigmas, incentivando a procura de apoio. A ligação a parceiros da área da saúde mental e a entidades locais permite estruturar uma resposta sólida, contínua e adaptada às necessidades reais das pessoas. Este projeto reconhece que a saúde mental também se cuida em comunidade, através do acesso à natureza e a contextos significativos e solidários. Esta rede propõe-se a contribuir para a promoção da saúde mental, da coesão social e da construção de uma comunidade mais empática, inclusiva, resiliente e participativa.
4. Programa 2025/26
4.1. Manifesto
Redacção de Manifesto em colaboração com a equipa Manicómio, para kick-off oficial do projeto, que reflita o posicionamento de todo o projeto e seus objetivos, nomeadamente a importância da promoção da saúde mental e do bem-estar individual e coletivo através da ligação e interação com a natureza/ terra e através da socialização e ligações comunitárias que estimulam o sentido de pertença e o propósito; a necessidade e benefícios da implementação e reforço do conceito de prescrição social; e a importância de uma rede de serviços e de apoio comunitário no espaço público aberta a uma cidade que dela irá usufruir.
4.2. Horta e Natureza
Conforme demonstrado, o contacto regular com a terra e atividades agrícolas tem revelado impactos positivos no bem-estar, reduzindo o stress, melhorando o humor e a própria cognição. A exposição à natureza e ao solo e a interação com microrganismos da terra estimulam a produção de substâncias que são antidepressivos naturais, assim como o trabalho numa horta comunitária fortalece o sentido de propósito e pertença, estimulando o apoio mútuo e a integração social. Desta forma, a prática regular de atividades hortícolas numa horta comunitária e diversa tem francos benefícios para a saúde mental individual e coletiva.
Assim, o projeto inclui:
1) Uma atividade orientada e aberta (semanal) na Horta, com base na lide desta (a qual incluirá cuidar do solo e das plantas, plantar, semear, colher, tratar os resíduos naturais, cuidar do compostor, observar e conhecer os ciclos de vida e a biodiversidade existente, entre outros).
2) Integração dos participantes que o desejem, na comunidade ativa da Horta, nomeadamente nos “Sábados em Comunidade” que acontece todos os sábados de manhã, juntando a comunidade em torno da Horta;
3) Sessões semanais para crianças que usufruem de acompanhamento psicológico nas escolas do território envolvente, promovendo o contacto com a terra e a natureza, e dinâmicas coletivas várias que promovem a integração.
4.3. Expressão Artística
Atividades de expressão artística oferecem meios criativos para expressar emoções e processar experiências, estimulam a autorreflexão, a comunicação não verbal e o autoconhecimento, e fortalecem o sentido de pertença quando realizadas em grupo.
Criam ainda espaços de escuta, empatia e partilha, e contribuem para uma melhor recuperação e integração social (All-Party Parliamentary Group on Arts, Health and Wellbeing(APPG)-“Creative Health: The Arts for Health and Wellbeing”, 2017).
O projeto inclui:
1) 8 Masterclasses desenvolvidas pelos artistas do Manicómio – profissionais de arte contemporânea com experiência de doença mental – em cerâmica (Anabela Soares), pintura (Cláudia R. Sampaio), caligrafia e muralismo (Joana Ramalho) e desenho (Daniel Arthur). Um espaço para aprender novas práticas artísticas e também para conversar sobre saúde mental, consciencializando e normalizando os participantes nesta temática.
2) Coro Regador, que acontece todas as segundas-feiras, juntando a comunidade em torno de músicas tradicionais, promovendo a expressão artística e o sentido apurado de pertença;
3) Grupo de Teares/Bordado, com encontros regulares, promovendo o sentido de pertença a um grupo num espaço seguro onde se fortalecem raízes comunitárias. Um círculo intergeracional de criação de diálogos, que aproxima os aprendizes dos mais experientes, através da troca de saberes e de um espaço de criação individual e coletiva.
4.4. Refeições Coletivas
Atividades de culinária e confeção coletiva criam momentos de partilha, cooperação e pertença, reduzindo o isolamento e fortalecendo os laços sociais. Estas desenvolvem competências práticas, promovem hábitos alimentares mais saudáveis e aumentam a literacia alimentar. Um estudo da Public Health England (2017) destacou que projetos comunitários de cozinha contribuem para melhorar o bem-estar emocional, a autoestima, os conhecimentos nutricionais e os comportamentos alimentares, sobretudo em populações vulneráveis. Assim, o projeto inclui a confecção coletiva de refeições na Horta, com orientadores cozinheiros que promovem uma alimentação saudável e acessível a todos, promovendo a partilha de tarefas, recursos, experiências e conhecimento, enquanto se recupera a tradição de cozinhar e comer em comunidade.
4.5. Grupos Terapêuticos
Grupos de terapia (terapêuticos) ou de apoio, desenvolvidos por psicólogos e psicoterapeutas do projeto Consultas sem Paredes do Manicómio. Os grupos terapêuticos são uma forma de psicoterapia que permite viver um processo de partilha e apoio entre pessoas com dificuldades semelhantes, facilitando a identificação e o encorajamento mútuo, sendo uma abordagem mais eficiente em termos de custo e que também poderá criar maior resiliência comunitária. Ao disponibilizarmos um espaço terapêutico fora do gabinete, num espaço diferente e não ameaçador, atraímos novos públicos mais resistentes a serviços de saúde mental. Ao fazê-lo numa “horta” (com todas as condições de privacidade) inserida na comunidade, conseguimos criar intervenções em adequação com as necessidades da comunidade local, criando interseccionalidade entre espaço comunitário e espaço terapêutico.
O projeto inclui, para este ano, os seguintes grupos terapêuticos:
1) Grupo de acompanhamento de ex-reclusos, procurando a criação de vínculo, segurança e sentido de pertença, a clarificação de missões pessoais e o fortalecimento enquanto mentores, em articulação com a Reshape.
2) Grupo de acompanhamento de pessoas em situação de sem abrigo/ housing first, em articulação com a Crescer e a Ares do Pinhal (em desenvolvimento).
3) Grupo de acompanhamento de seniores em situação de solidão e isolamento (em desenvolvimento).
4) Grupo de acompanhamento de jovens adultos em situação de ansiedade e depressão (em desenvolvimento).
4.6. Evento Aberto
Evento Aberto, com espaços de formação imersiva para grupos específicos no território e sensibilização sobre a causa da saúde mental e bem estar, cujo formato dependerá de um processo de participação coletiva e auscultação inicial, junto dos vários públicos alvo e parceiros envolvidos e a envolver. Pretende-se sensibilizar a população do território envolvente para o que é o básico da saúde e doença mental, assim como dos cuidados comunitários, e também derrubar barreiras de estigma sobre doença mental. As formações para trabalhadores de organizações sociais vêm de uma necessidade expressa do terreno, em que estas entidades cuidadoras da população e com temáticas agressivos, precisam urgentemente de cuidados próprios de saúde mental. Este evento terá uma parte “aberta” à população em geral, com o objetivo, justamente, de sensibilizar e destigmatizar a causa.
Procuramos trazer a interseccionalidade para o território, criando zonas de bem-estar e ligação comunitária com impacto positivo na saúde mental das pessoas. Ao longo do primeiro ano do projeto iremos medir:
a) impacto do espaço (horta e comunidade) no bem-estar das pessoas que o frequentam;
b) impacto da criação de ligações comunitárias;
c) impacto na sensibilização e conhecimento em saúde mental, doença mental e bem-estar.
Os resultados serão disponibilizados neste website.
7. Apoios e Parceiros
Este projeto é financiado ao abrigo do programa BIP/ZIP 2025 da CML, e conta com a seguinte participação:
Promotor/Organização: Regador
Parceiros Formais: Manicómio / Prescrição Social da ULS S. José
Parceiros Informais: Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves / AMBH / APSA / Ares do Pinhal / Crescer / Desenhar contigo no Pavilhão / LPP / Reshape / Viver Melhor no Beato